
Somos a nova geração de uma família portuguesa tradicional, profundamente ligada às suas raízes e a uma das regiões mais cativantes do país – o Dão.
Há séculos, a Família Melo estabeleceu-se nas Terras de Azurara, onde começou a história da Quinta do Cruzeiro. Situada num planalto em altitude em Oliveira, Mangualde, é aqui que nascem os vinhos Julia Kemper, num terroir abençoado por elegância, equilíbrio e caráter. O registo mais antigo da Quinta do Cruzeiro remonta a 1900, quando Ana Cândida de Lucena e Melo formalizou em escritura a doação das terras de família localizadas em Oliveira.
Com o passar do tempo, algumas vinhas saíram da esfera da família, mas muitas retornaram e, hoje, parte dessas terras tão queridas volta a ser cuidada por Julia de Melo Kemper, atual proprietária e produtora de vinhos.
Ao longo do tempo houve parcelas de terra – algumas vinhas – que saíram da esfera da Família Melo, mas algumas retornaram e hoje, em parte, estão nas mãos de Julia de Melo Kemper, a atual proprietária e vitivinicultora.
Em 1994, a Quinta do Cruzeiro já era um mosaico de vinhas, pinhais, oliveiras, castanheiros, pastagens e vegetação silvestre – uma paisagem viva moldada por gerações de agricultores da família Melo.
Ano após ano, o saber foi sendo transmitido e consolidado, planta a planta, estação após estação. O toque da família Melo manteve-se por gerações – paciente, dedicado e sempre respeitoso para com tudo o que este terroir único e abençoado tem para oferecer. O acumular de conhecimentos, feitos de sabores testados, consolidar-se-ia num vinho, o líquido precioso que um dia Julia de Melo Kemper decidiu dar a conhecer ao mundo.

No ano 2000, Julia – advogada, amante da vida urbana, com uma vida agitada entre Lisboa e São Paulo – foi chamada pelo seu pai, António Melo, para dar continuidade ao legado da família no Dão.
Como recorda Julia, “não se olhe para as vinhas Julia Kemper como uma sorte de herdeira escolhida. Eu recusei a herança vários anos!”.
Mas o destino tem os seus caminhos. Julia acabaria por aceitar o desafio e, em 2003, após replantar as vinhas e revitalizar a propriedade, abraçou a terra por completo, tornando-se também numa agricultora.
“Dei início a uma das mais belas experiências que penso podemos ter, talvez porque afinal nós, humanos, somos urbanos recentes e entrando em contacto direto com as leis da natureza e a demanda do seu entendimento, algo desperta de que não tínhamos consciência.”


“No meu caso”, prossegue, “a experiência da agricultura intensificou-se pelo facto de ter optado pela agricultura biológica e biodinâmica – nem me passou pela cabeça não tratar a minha terra como o fazia com a minha família”: “biodinamicamente”, seguindo os princípios de Rudolf Steiner e a filosofia por detrás da sua homeopatia antroposófica”. Ou a demanda do vinho natural: “as nossas vinhas passaram a ser prados onde toda a vida labora, para me ajudar a produzir as melhores e mais saudáveis uvas para vinho”.
Julia escolheu um caminho que poucos ousaram seguir, sobretudo na região do Dão – a viticultura biológica e biodinâmica, inspirada nos princípios de Rudolf Steiner e guiada por um profundo respeito por todas as formas de vida.
“Nunca me passou pela cabeça não tratar a minha terra como trato a minha família — biodinamicamente,” afirma. Ou a demanda do vinho natural: “as nossas vinhas passaram a ser prados onde toda a vida labora, para me ajudar a produzir as melhores e mais saudáveis uvas para vinho”.
Mas havia uma intenção clara:
O vinho era para ser partilhado com o mundo.
Durante gerações, a família Melo fez vinho para consumo próprio — e a família não era pequena. “Eram mais de mil familiares,” recorda Julia com um sorriso. “Todos os anos, dezenas de garrafas eram distribuídas a cada um deles, além de amigos e clientes.”
Verdadeiro “hobby” secular, a paixão da família pelo vinho ia além de casa. Participavam com orgulho em concursos – conhecida e registada é a visita a Berlim pelo seu avô, acompanhado dos vinhos, sempre os tintos, em finais do século XIX.). E a mais antiga participação de que há registo em papel data de 1885, em Lisboa.
Em 2010, pela primeira vez em séculos, os vinhos Julia Kemper chegaram ao mercado nacional e internacional. Começando com a colheita de 2008, foram imediatamente reconhecidos pela crítica e pelo público pela sua originalidade, caráter, elegância e estrutura, sempre enraizados num profundo respeito pela Natureza.
Desde então, os vinhos Julia Kemper têm sido distintos entre os 50 Melhores Vinhos de Portugal em várias ocasiões, e aclamados pela imprensa e críticos de todo o mundo.
“Há um novo vinho do Dão!” – escreveu uma publicação. E o mundo escutou.

Quase duas décadas de vindimas depois, com uma identidade recentemente renovada e energia refrescada, os vinhos Julia Kemper são hoje apreciados e vendidos em mais de metade do mundo.
Uma história de persistência e paixão, de tradição e inovação, criada sempre em harmonia com a terra singular que lhes dá vida.